A coleção Redley x Marley desembarcou em Salvador sob o olhar do fotógrafo e diretor Meneson Conceição, artista baiano que transforma território em narrativa e ancestralidade em linguagem visual.
Com uma trajetória marcada pela valorização das raízes e pela representação de corpos negros em protagonismo, Meneson traduz, com sensibilidade, os valores de resistência e liberdade que aproximam seu trabalho da filosofia de Bob Marley.
Durante o processo criativo, o artista se debruçou sobre os pontos de interseção entre sua pesquisa e a cultura rastafári, reconhecendo afinidades que vão do anticolonialismo e pan-africanismo à celebração da vida como ato político. “Foi uma responsabilidade traduzir esses valores sem perder a essência do que Marley pensa sobre resistência”, ele conta.
Inspirado na canção Survival, de Bob Marley, Meneson buscou em Salvador a paisagem que expressasse a força do povo preto e o poder simbólico da liberdade. As locações escolhidas, a Cidade Baixa e Itapuã, são, para ele, territórios de sonho e resistência.
No píer da Cidade Baixa, onde jovens saltam em mergulhos de alegria, o fotógrafo encontrou a materialização da leveza. Já nas dunas e na Lagoa do Abaeté, em Itapuã, a natureza se impôs como personagem: encontro de rio, floresta e areia que traduz o elo entre espiritualidade e ancestralidade.
“A resistência negra também se dá pela celebração da vida”, ele afirma, e é esse princípio que guia o ensaio: a imagem como espaço de respiro e contemplação. A escolha por ambientes externos e o uso das cores e texturas do reggae reforçam essa fusão entre a natureza do território e o imaginário rastafári.
“A resistência negra também se dá pela celebração da vida”
Para Meneson, a parceria com a Redley foi uma convergência natural. “A Redley traz conforto pro cotidiano, eu trago o sonho pro cotidiano”, ele resume.
“Nosso encontro enxerga beleza no ordinário e a elegância de sonhar no dia a dia.”