De Duque de Caxias pro mundo, Maui estreia seu primeiro álbum de estúdio, Melodia & Barulho (Deck), com a força de quem transforma as contradições da vida na Baixada Fluminense em combustível criativo.

São 16 faixas que consolidam o artista como uma das vozes mais relevantes da nova geração, costurando rap, R&B, funk, samba, charme e até batidas globais como grime, afrobeat e drum’n’bass, um retrato sonoro da juventude brasileira em 2025.
Se no EP Rubi (2023) Maui ainda se apresentava em tons de descoberta, aqui ele alcança uma maturidade rara. O álbum foi construído ao longo de dois anos, em um processo que envolveu pesquisa com fãs, experimentação visual e colaborações intensas.

Essa estrutura coletiva aparece tanto nas participações musicais, que incluem Afrodite BXD, Cristal, Yoùn, Maskotte, KBrum, Bruno Kroz, Scof Savage, 2ZDinizz, além de conexões com Minas Gerais como Ogoin, DJs Linguini e Akai, quanto na identidade visual, assinada em diálogo com o artista contemporâneo Arte Deft.
A escolha de abrir o disco com Sílvia de Mendonça recitando “Tem Gente com Fome”, de Solano Trindade, revela o tom do projeto: político e poético, festivo e consciente. Ao longo das faixas, Maui organiza esse universo em um fluxo quase psicológico, da euforia às introspecções, da explosão à calmaria, sempre partindo da ambiguidade que dá nome ao álbum.
Esse olhar híbrido também é estético. Maui queria que sua sonoridade fosse lida como arte contemporânea: fragmentada, excessiva, cheia de estímulos, como a vida de um jovem negro da Baixada.
Mais que um disco, Melodia & Barulho é um manifesto sobre amadurecimento e identidade. Do pagode ao baile, da pista de charme ao sound system, Maui transforma referências cotidianas em narrativa artística, provando que a cultura periférica é sofisticada, complexa e global.
Não por acaso, essa trajetória se conecta à Redley, marca que o artista representa como embaixador. Assim como sua música, a Redley aposta na autenticidade, na mistura e no diálogo com a rua. No encontro entre moda e som, Maui reafirma: o barulho da periferia é melodia pro Brasil inteiro.


